Resposta curta: psicólogo pode anunciar no Google. Só que o anúncio, e a página para onde ele leva, respondem a dois livros de regras ao mesmo tempo: o Código de Ética Profissional do Psicólogo e as políticas de anúncio do Google. Aqui estão os dois resumidos, com a fonte de cada afirmação, e um passo a passo para começar pequeno.
Quem escreve: Rafael Seifriz, da allee. A allee cuida de anúncios no Google para autônomos, então leia sabendo disso. Este texto não é parecer jurídico; no seu caso específico, pergunte ao seu Conselho Regional de Psicologia (CRP). Fontes conferidas entre 8 e 17/out/2026.
1. O que o Código de Ética diz sobre divulgar seus serviços
O artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução nº 010/2005 do Conselho Federal de Psicologia, o CFP) vale para quem promove os próprios serviços “por quaisquer meios”. Em resumo, o psicólogo:
- informa o nome completo, o CRP e o número de registro;
- faz referência só a títulos e qualificações que possui;
- divulga só qualificações, atividades e recursos de técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão;
- não usa o preço do serviço como forma de propaganda;
- não faz previsão taxativa de resultados;
- não se promove em detrimento de outros profissionais;
- não propõe atividades que sejam privativas de outras categorias;
- não faz divulgação sensacionalista.
Texto completo: Código de Ética Profissional do Psicólogo, no portal de transparência do CRP-08.
O que isso muda no anúncio (leitura nossa, não do CFP):
- A regra vale “por quaisquer meios”, e isso inclui o próprio anúncio. Ponha nome e CRP no texto sempre que couberem, e completos na página para onde o anúncio leva. Se o espaço do anúncio não comportar os dados, pergunte ao seu CRP.
- Nada de usar o preço como chamariz do anúncio (alínea d).
- Nada de prometer um desfecho do tipo “volte a dormir bem em quatro sessões” (alínea e), nem de dramatizar o sofrimento de quem busca (alínea h, divulgação sensacionalista).
2. O que o Google diz sobre anunciar em saúde
- Na publicidade personalizada (mostrar o anúncio a grupos de pessoas escolhidos por critérios que você define), o Google trata saúde como “categoria de interesse sensível”. A página oficial cita, entre os exemplos, “serviços de terapia para transtornos de saúde mental, como depressão e ansiedade”.
- Ela não cita psicólogos pelo nome, mas esse exemplo pode alcançar o seu serviço. Na dúvida, planeje como se as restrições valessem para você (leitura nossa).
- A lista de categorias sensíveis também inclui, por exemplo, “abuso e trauma” e “dificuldades de relacionamento”. Vale conferir se o seu texto toca em alguma.
- Quem anuncia nessas categorias não pode usar públicos selecionados pelo próprio anunciante: lista de clientes, segmentos dos seus dados (o que antes se chamava remarketing), expansão de público e segmentos semelhantes. Na prática (leitura nossa): você não sobe uma lista de pacientes nem volta a mostrar o anúncio a quem visitou o seu site.
- Continuam valendo os públicos predefinidos do Google (como “no mercado” e “afinidade”) e a segmentação por local.
- Essas páginas tratam de públicos. Elas não falam de palavra-chave nem de campanha de pesquisa.
Fontes, na Central de Ajuda do Google Ads: Segmentação restrita na publicidade personalizada e Saúde na publicidade personalizada. O Google avisa que a versão em inglês é a oficial e que as traduções podem divergir.
3. Passo a passo para começar pequeno
Os passos são recomendação nossa. Onde a regra é do Google, a fonte está no fim desta seção.
- Prepare a página antes do anúncio. Uma página só, que abre rápido no celular, com seu nome completo, CRP e número de registro, o que você atende, a modalidade (presencial ou online) e um botão para o seu WhatsApp. O anúncio leva para ela.
- Use uma campanha de pesquisa com poucas palavras-chave. Na rede de pesquisa, o anúncio aparece perto dos resultados quando alguém procura termos ligados à palavra-chave que você escolheu. Prefira as frases de quem já quer atendimento, como “psicólogo em” mais a sua cidade.
- Segmente pela região em que você atende. O próprio Google avisa que a segmentação por local pode errar. Confira nos relatórios de onde vêm os cliques.
- Bloqueie buscas de quem não procura atendimento. Palavras-chave negativas excluem essas buscas. Exemplos: “faculdade”, “curso”, “concurso”, “vaga”. A negativa não pega variantes próximas: excluir “faculdade” não bloqueia “faculdades”. Liste as duas.
- Defina o orçamento antes de ligar. Você escolhe um orçamento diário médio. Na maioria das campanhas, o Google pode gastar até o dobro dele num dia, e o limite do mês é o orçamento diário vezes 30,4. Escolha um valor que você pode perder por inteiro sem apertar as contas do mês.
- Escreva o anúncio descrevendo o serviço. Diga quem você é, onde atende e como marcar. Sem preço como chamariz, sem promessa de resultado, sem exagero.
- Meça conversas, não cliques. Anote, por semana, quantas conversas no WhatsApp vieram do anúncio e quantas viraram consulta.
Fontes, no Manual do Google Ads: rede de pesquisa (passo 2), segmentação por local (passo 3), palavras-chave negativas (passo 4) e visão geral dos orçamentos (passo 5).
4. Perguntas rápidas
O Google Ads funciona para psicólogos? Depende da cidade, da concorrência e da página. Não existe número honesto que valha para todos, por isso esta página não traz nenhum. O jeito mais barato de descobrir é um teste pequeno, com orçamento fixo e uma meta de conversas.
E o custo? O que vai para o Google sai do orçamento que você define (passo 5). Se você contratar alguém para cuidar da campanha, esse serviço é um custo à parte.
5. Se preferir não montar sozinho
A allee monta as palavras-chave e os anúncios, liga a campanha na sua conta do Google Ads e mede os contatos que o anúncio trouxer; a verba dos anúncios fica com você, paga direto ao Google. Veja como funciona o investimento em anúncios no Google da allee ou converse com a gente:
In English
Short answer: psychologists in Brazil can advertise on Google. But the ad, and the page it leads to, must follow two rulebooks at the same time: the Psychologist's Professional Code of Ethics and Google's ad policies. Here are both, summarized with a source for each claim, plus a step-by-step guide to start small.
Written by Rafael Seifriz, from allee. allee manages Google ads for self-employed professionals, so read with that in mind. This is not legal advice; for your specific case, ask your Regional Psychology Council (CRP). Sources checked between Oct 8 and Oct 17, 2026.
1. What the Code of Ethics says about promoting your services
Article 20 of the Psychologist's Professional Code of Ethics (Resolution No. 010/2005 of the Federal Council of Psychology, the CFP) applies to anyone promoting their own services “by any means”. In short, the psychologist:
- states their full name, CRP and registration number;
- refers only to titles and qualifications they hold;
- advertises only qualifications, activities and resources of techniques and practices recognized or regulated by the profession;
- does not use the price of the service as advertising;
- makes no categorical prediction of results;
- does not promote themselves at the expense of other professionals;
- does not propose activities that are exclusive to other professions;
- does not advertise in a sensationalist way.
Full text (in Portuguese): Code of Ethics, CRP-08 transparency portal.
What this means for an ad (our reading, not the CFP's):
- The rule applies “by any means”, and that includes the ad itself. Put your name and CRP in the ad text whenever they fit, and in full on the page the ad leads to. If the ad space cannot hold them, ask your CRP.
- No using price as a hook in the ad (item d).
- No promising an outcome such as “sleep well again in four sessions” (item e), and no dramatizing the suffering of the person searching (item h, sensationalist advertising).
2. What Google says about advertising in health
- In personalized advertising (showing the ad to groups of people chosen by criteria you define), Google treats health as a “sensitive interest category”. Its official page lists, among the examples, “therapy services for mental health disorders, such as depression and anxiety”.
- It does not name psychologists, but that example may reach your service. When in doubt, plan as if the restrictions apply to you (our reading).
- The list of sensitive categories also includes, for example, “abuse and trauma” and “relationship difficulties”. Check whether your text touches any of them.
- Advertisers in these categories cannot use advertiser-selected audiences: customer lists, your data segments (formerly remarketing), audience expansion and similar segments. In practice (our reading): you do not upload a patient list or show the ad again to people who visited your site.
- Google's predefined audiences (such as in-market and affinity) and location targeting remain available.
- These pages are about audiences. They do not mention keywords or search campaigns.
Sources, in the Google Ads Help Center: Personalized advertising: restricted targeting and Health in personalized advertising. Google states that the English version is the official one and that translations may differ.
3. Step by step: start small
The steps are our recommendation. Where the rule is Google's, the source is at the end of this section.
- Prepare the page before the ad. A single page that loads fast on a phone, with your full name, CRP and registration number, what you treat, the format (in person or online) and a button to your WhatsApp. The ad leads to it.
- Use a search campaign with few keywords. On the search network, the ad appears near the results when someone searches for terms related to the keyword you chose. Prefer phrases from people who already want care, such as “psicólogo em” plus your city.
- Target the region where you work. Google itself warns that location targeting can be inaccurate. Check the reports to see where the clicks come from.
- Block searches from people who are not looking for care. Negative keywords exclude those searches. Examples: “faculdade” (college), “curso” (course), “concurso” (public exam), “vaga” (job opening). A negative keyword does not catch close variants: excluding “faculdade” does not block “faculdades”. List both.
- Set the budget before you switch it on. You choose an average daily budget. For most campaigns, Google may spend up to double that on a given day, and the monthly limit is the daily budget times 30.4. Pick an amount you can lose entirely without straining your monthly accounts.
- Write the ad to describe the service. Say who you are, where you work and how to book. No price as a hook, no promise of results, no exaggeration.
- Measure conversations, not clicks. Note, each week, how many WhatsApp conversations came from the ad and how many became appointments.
Sources, in the Google Ads Help: Search Network (step 2), location targeting (step 3), negative keywords (step 4) and budgets overview (step 5).
4. Quick questions
Does Google Ads work for psychologists? It depends on the city, the competition and the page. There is no honest number that fits everyone, so this page does not give one. The cheapest way to find out is a small test, with a fixed budget and a target number of conversations.
What about the cost? What goes to Google comes out of the budget you set (step 5). If you hire someone to run the campaign, that service is a separate cost.
5. If you prefer not to set it up yourself
allee sets up the keywords and ads, switches the campaign on in your own Google Ads account and measures the contacts the ad brings; the ad budget stays with you, paid directly to Google. See how allee's Google ads investment works or talk to us: